"Comecemos por examinar a nossa maneira habitual de reagir face aos nossos rivais.Claro que, em geral, não desejamos bem aos nossos inimigos. Mas fazer sofrer um inimigo com as nossas acções será uma ocasião de regozijo? Se pensarmos bem, haverá algo mais miserável do que alimentar tal hostilidade e uma tal malevolência? Queremos realmente ser tão cruéis?
Quando nos vingamos de um inimigo, criamos um círculo vicioso. A outra pessoa não aceita a nossa retaliação, quer uma desforra, nós fazemos o mesmo e nunca mais se acaba. A n
ível de uma comunidade, este tipo de situações pode passar de geração em geração. O resultado é sofrimento para ambos os lados. É como se a própria finalidade da vida se degradasse. Verifica-se essa degradação nos campos de refugiados, onde se cultiva o ódio pelo inimigo. Começa na infância. É muito triste. A cólera ou o ódio são como um anzol.
Certas pessoas consideram que o ódio é útil para a nação. Eu penso que é muito negativo, que esta é uma visão muito estreita. O espírito de não-violência e de tolerância é exactamente o oposto desta atitude.
No Budismo, em geral, damos muita atenção à nossa atitude para com os rivais e os inimigos. A razão para tal é que o ódio é um obstáculo considerável no desenvolvimento da compaixão e da tolerância para com os nossos inimigos, o resto torna-se muito mais fácil e a compaixão para com os outros seres nasce espontaneamente.
Isto significa que, para um praticante de uma via espiritual, os inimigos têm um papel essencial. Considero que a compaixão é a essência da vida espiritual. Para podermos praticar plenamente o amor e a compaixão é essencial praticarmos a paciência e a tolerância. Não existe força que valha a paci~encia nem pior calamidade que a cólera.Portanto, devemos fazer tudo o que podemos para não guardar ódio contra os inimigos, mas sim utilizarmos essas situações de conflito como outras tantas oportunidades para cultivarmos a paciência e a tolerância.
Na verdade, o inimigo é a condição indispensável à prática da paciência. Sem a intervenção do inimigo, a paciência e a tolerância não podem existir. Geralmente não sõa os nossos amigos que nos poêm à prova, não são eles que nos dão oportunidade de cultivar a paciência. Apenas os inimigos o fazem. Segundo este ponto de vista, podemos considerar que os inimigos são grandes mestres para nós e devemos respeitá-los pelas preciosas oportunidades de praticar a paciência que nos oferecem.
Há muitas pessoas no mundo, mas poucas são aquelas com que contactamos, e ainda menos as que nos criam problemas. Portanto, devíamo-nos sentir gratos quando temos uma oportunidade para praticar a paciência e a tolerância. É uma coisa rara. É como se estivéssemos inesperadamente descoberto um tesouro em casa, e portanto devemos regojizarmo-nos e agradecermos ao nossos inimigo por ele nos proporcionar tão preciosa oportunidade. A verdade é que para levarmos a cabo a prática da paciência e da tolerância, factores essenciais para combater as emoções negativas , temos que fazer convergir os nossos esforços e utilizar a oportunidade que o inimigo nos oferece."- Dalai Lama
Quando nos vingamos de um inimigo, criamos um círculo vicioso. A outra pessoa não aceita a nossa retaliação, quer uma desforra, nós fazemos o mesmo e nunca mais se acaba. A n
ível de uma comunidade, este tipo de situações pode passar de geração em geração. O resultado é sofrimento para ambos os lados. É como se a própria finalidade da vida se degradasse. Verifica-se essa degradação nos campos de refugiados, onde se cultiva o ódio pelo inimigo. Começa na infância. É muito triste. A cólera ou o ódio são como um anzol.Certas pessoas consideram que o ódio é útil para a nação. Eu penso que é muito negativo, que esta é uma visão muito estreita. O espírito de não-violência e de tolerância é exactamente o oposto desta atitude.
No Budismo, em geral, damos muita atenção à nossa atitude para com os rivais e os inimigos. A razão para tal é que o ódio é um obstáculo considerável no desenvolvimento da compaixão e da tolerância para com os nossos inimigos, o resto torna-se muito mais fácil e a compaixão para com os outros seres nasce espontaneamente.
Isto significa que, para um praticante de uma via espiritual, os inimigos têm um papel essencial. Considero que a compaixão é a essência da vida espiritual. Para podermos praticar plenamente o amor e a compaixão é essencial praticarmos a paciência e a tolerância. Não existe força que valha a paci~encia nem pior calamidade que a cólera.Portanto, devemos fazer tudo o que podemos para não guardar ódio contra os inimigos, mas sim utilizarmos essas situações de conflito como outras tantas oportunidades para cultivarmos a paciência e a tolerância.
Na verdade, o inimigo é a condição indispensável à prática da paciência. Sem a intervenção do inimigo, a paciência e a tolerância não podem existir. Geralmente não sõa os nossos amigos que nos poêm à prova, não são eles que nos dão oportunidade de cultivar a paciência. Apenas os inimigos o fazem. Segundo este ponto de vista, podemos considerar que os inimigos são grandes mestres para nós e devemos respeitá-los pelas preciosas oportunidades de praticar a paciência que nos oferecem.
Há muitas pessoas no mundo, mas poucas são aquelas com que contactamos, e ainda menos as que nos criam problemas. Portanto, devíamo-nos sentir gratos quando temos uma oportunidade para praticar a paciência e a tolerância. É uma coisa rara. É como se estivéssemos inesperadamente descoberto um tesouro em casa, e portanto devemos regojizarmo-nos e agradecermos ao nossos inimigo por ele nos proporcionar tão preciosa oportunidade. A verdade é que para levarmos a cabo a prática da paciência e da tolerância, factores essenciais para combater as emoções negativas , temos que fazer convergir os nossos esforços e utilizar a oportunidade que o inimigo nos oferece."- Dalai Lama